segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

E por falar em saudade...

Passa a correr uma mão que nos tira
a esperança...
As ilusões que se cria...
Os momentos bons que passam a fragmentos,
de tristeza e dor...
momentos, que custam a recordar...
momentos, que nos deixam lágrimas de saudade...
Mas porquê ter saudade?
Sinto-me parada e presa,
num tempo só meu...

* * *
Saudade... Saudade
Sobre o pó dos meus receios
Repousa uma chama transparente
É o lume mortiço dos anseios
É a saudade que se sente.

A noite conta segredos em meus ouvidos
O silencio de tortura
São lembranças de tempos diluídos
Numa dor que não se cura.

Tecendo-se vai a mortalha dos anos
Que há de vestir meu corpo franzino
São fios de tantos desenganos
Bordados nas páginas do meu destino.

A espera que arde como chama incerta
A dor dos anos que meu corpo invade
É como o tempo a invadir minha alma deserta
Anunciando saudade
Saudade
Saudade...!

* * *

Saudade...

Afinal, o que é saudade?
É a falta de tempo sempre correndo
e vivendo a falta da presença
mais com a alma do lado.

O que é saudade?

É lembrar dos versos
amarrados ao peito
que mesmo sem direito
faz sentir o coração.

Saudade é a lembrança boa das coisas,
do cheiro de pão com manteiga,
do sereno caindo sozinho.

A saudade é a janela da alma
que clama pelo sol lá fora.
Por isso quem tem saudade ama.
Por isso quem tem saudade chora.

O bom da saudade é a espera sem demora,
chega
logo
chega...!

* * * 

“Saudade de um Passado”

Do passado ficaram lembranças de um amor.
Hoje sinto uma estranha e imensa dor.
Queria poder beber dos teus beijos,
saciar a sede que sinto dentro desta saudade.

Tenho medo que o amanhã seja tarde demais.
Guardo tua fisionomia como um tesouro.
A saudade de você é tão boa que me faz reviver
a cada dia.

Nossa vida foi entrelaçada por uma fita invisível,
com esta invisibilidade vou criando e recriando
imagens que guardo como relíquia.
São momentos de loucura e paixão.

Não vivo do passado, mas ele em mim...

Assim vou pintando telas com uma aquarela
da saudade boa que sinto de ti.
Talvez sejam loucuras poéticas por não tê-lo aqui...

* * * 


Maria Florܓ

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Canto a poesia,
essa donzela que atiça
sentimentos e paixões
com tal cobiça
que agita e explode
em versos,
no compasso ardente
de jovens e até mesmo
de velhos corações.

Canto a poesia
e toda sua beleza
quando reverencia
a natureza.
Cantando a sombra
do caminho,
a flor, o sol, o sal, o mar,
o céu azul que sempre espero,
trinando como um sabiá,
um rouxinol , um beija-flor,
gritando arisca,
como um quero-quero,
canções de versejar o amor.

Canto a poesia
e muito especialmente,
canto seus autores,
canto os sabores dessa cantoria
que me aquieta,
apazigua meu espírito,
quando chegam através
do versejar desses cantores:
Os poetas!

Maria Flor✿ܓ

"Céu Violeta"

O relógio atormenta o silêncio vazio.
O tempo urge paralelamente à minha busca
incessante por ti.
As ruas estão vazias e escuras,
exalam um odor baforento do
que pereceu num ontem remoto.


Os sinais que vou recolhendo induzem-me
à idéia de ti.
Os sinais que foste revelando na tua estrada.
Arrasto-me pela rua,
cada vulto é uma possibilidade de te encontrar,
aqui, ao virar a esquina, num outro país,
num outro mundo.
Mas vivemos sob o mesmo firmamento,
sob as mesmas leis,
embora nem mesmo a natureza te consiga reger
por uma outra força do universo,
que não o fenômeno de ti.


E, foste único e por isso me apaixonei.
Foste proibido porque foi o único que me atingiu,
e o que em mim plantaste foi um girassol
numa caverna esquálida.
Você partiu, dizendo até breve,
mesmo sabendo que não me voltarias a ver.
Todo o meu corpo reagiu à notícia que à partida sabia inevitável,
mas que habilmente, afastei da realidade.
Da minha realidade.


Abraço forte, terno, porque significava mais que um beijo,
mais que as palavras que te almejava ouvir pronunciar.
E fiquei com ele, guardado em mim,
esperando que voltasses a ele,
como dele, eu não parti.


A tua imagem serviu-me de ar durante anos e,
durante esses tantos fui fiel ao um sentimento irreproduzível,
por um homem inigualável.
Homem que tenho para mim, com quem fiquei todo tempo,
passado ou futuro, imamente, e de quem jamais me dissociarei.
És e serás sempre tu, meu amor.

És tu quando me diligenciam subitamente,
num subterfúgio que me envia para a lonjura
do alcance da minha memória.
És tu, no meu pai, nas gentes vulgares que correm na minha direção.
És tu, naquele beijo que teve gosto de nada,
és tu que me tocas quando meu corpo se entorpece
 numa traição a mim, e como me excito para ti.
És tu, na existência que concedi ao meu sonho, és tu,
no acordar de manhã,
Es tu o início da primavera, e és tu,
no violeta infinito do céu no anoitecer tardio.
És tu, até mesmo, quando sou simplesmente eu.


Maria Flor✿ܓ

Dos meus dias...

Se eu pudesse (d)escrever as horas dos meus dias,
saberias de mim aquilo que não digo.
Tudo o que nem as palavras que ouves te dizem
porque a verdade completa fica comigo.


As minhas horas formam uma cadeia quase sem surpresas,
repleta de atos, de obrigações,
das alegrias e tristezas
de uma existência comum.


Dizer-te que, quando as horas me trazem a tua lembrança,
o dia muda a cor e algo canta em mim melodias inesperadas é,
talvez, dizer-te demais.
Ficarias sabendo segredos meus,
em cada canção está um guardado.


Terás que adivinhar os segredos das minhas horas.
Das muitas horas da minha vida.
Nele está a chave para o conhecimento de mim.
E quando me souberes totalmente, podes partir
porque já levas contigo a eternidade do amor.

Maria Flor✿ܓ

 

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Longe...

Hoje sinto-me longe.
Longe do ontem e do amanhã,
como se tivesse estagnada entre
o passado e o futuro.


As verdades de ontem estão manchadas,
trêmulas, como se as sentisse sem convicção,
como se as não conseguisse situar,
dar-lhe um sentido.


As velhas canções não parecem ter
a mesma melodia e o significado se perdeu.
Parece cansada de insistir em ter o mesmo efeito.
Acho que eu mesma estou cansada,
de tudo.


Hoje só este vazio.
Apática, olho a mesma janela,
mas a luz que costumava ter o efeito de um sorriso,
é só a luz do fim de tarde.
Da varanda o pôr-do-sol, é só um pôr-do-sol,
com beleza mas sem exaltação.


Não sei se me perdi ou se finalmente me encontrei.
Talvez fosse esta realidade que eu não queria encontrar,
talvez tudo tenha que ser assim.


O cristal partiu e o passado recuou para tão longe
que o sinto como se fosse em outra vida,
tão rápido, que o choque abriu fendas no coração.


Sinto um espaço tão grande
que pareço ver só áridas planícies no meio de um deserto,
sem Norte nem Sul.


Sinto esta distância, intemporal,
que ultrapassa tudo,
que nem distingue a noite do dia.


Longe...muito longe...


Maria Flor✿ܓ


sábado, 11 de junho de 2011

"Segredos de Amor"


Segredos de Amor,
intensas chamas que
floriram antes do tempo ser tempo
e cuspiram formas
de emoções vigilantes várias,
ondas sísmicas, réplicas de ti
mudas e ciosas como um caule
e uma rosa adormecida no meu peito.


Segredos de Amor,
espalhados no teu dorso
em erupção nos teus pêlos,
terrivelmente incertos.
Inscreveste no meu ser
crateras imensas e nelas
centopéias cegas,
ardendo no meu medo
esvaziando-me de desejo.


São segredos impressos
na face oculta, lanterna do universo
bruxuleando no azul necessário
do poema que te ofereço.


Segredos são estes
de transitivos verbos sem expressão,
lamparinas extintas de faróis
imolados pela sua própria substância


Segredos de Amor, que escrevo nas estrelas
iluminados pelos raios lunares.


Eu e tu,
em tempo de bonança na fenda desferida
na memória, sem retorno, sem aurora,
sem ânforas de sonhos e águas mornas,
sem a certeza cúmplice da permanência,
sem sabermos sequer onde reside a esperança.


Segredos de Amor,
do meu Amor,
nascidos das trevas
como se fossem figuras de lava
refletindo os meus sonhos,
quando na noite desbravas os lugares de assombro
e as lianas e trepadeiras que me afastam do teu mundo.


Segredos de Amor que esculpiu em minha face
como sombra, como lápide, como o lugar
onde arde esta mansidão de esperar-te...


E espero...espero...


Maria Flor✿ܓ
16/05/2011

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Saudade...

Na solidão na penumbra do amanhecer
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.

Via você no ontem , no hoje, no amanhã...
Mas não via você no momento.

Que saudade...

( Mário Quintana )